sexta-feira, 22 de abril de 2016

Equilíbrio Emocional

Bom dia Carolei[i], depois de escrever sobre ciúme, inveja, sentimento e emoção, que tal uma palavrinha sobre equilíbrio emocional? Já dei algumas dicas quando escrevi que a amígdala cerebral, sede dos sentimentos, é um órgão primitivo, rústico, sem capacidade de processar os sentimentos. Ele simplesmente recebe a carga e responde para o corpo, quase como estímulo-resposta. Quanto mais você parar para pensar, antes de agir, melhor, você estará dando tempo para o estímulo chegar no córtex cerebral e ser processado, para você dar uma resposta bacana, madura, sensata.
Equilíbrio é a capacidade de não se alterar intensamente frente a situações inusitadas ou a processos de vida indesejáveis. Equilíbrio é entender o que pertence a você e o que não pertence a você, ou seja, o que é seu e o que é do outro. Isto vale para todas as pessoas que você convive, tem coisas que são suas e tem coisas que são da sua mulher, do seu marido, dos seus filhos, dos seus parentes e dos seus amigos. Exemplo: o problema da sua esposa não é seu problema, é dela. O problema da sua filha não é seu problema, é problema dela. Atenção! Não que você deva ficar omisso ao problema dos outros, dizendo que “não tenho nada com isto, li em um artigo da internet que não devo me envolver com problemas que não são meus”. Não é bem assim, você até pode se envolver e procurar ajudar o outro, mas deve entender que a solução do problema é do outro. Isto chama-se empoderamento, dar poder, passar confiança na força e capacidade do outro de resolver seus problemas. O desgaste emocional, caso tenha de existir, tem de ser do outro e não seu, que deve manter-se equilibrado até mesmo para passar segurança para a outra pessoa.
Equilíbrio emocional é ter senso crítico em relação às situações que você está envolvido. Senso crítico, Carolei, é a leitura de dados e fatos e não de julgamentos dos dados e dos fatos. Se em determinado momento você está passando por uma crise financeira, ficar julgando o país, o governo e qualquer outra coisa, é entrar no senso comum e não vai te tirar da crise. O senso crítico é entender que você está em uma crise financeira e tem de procurar soluções para a mesma. Você pode até fazer uma avaliação crítica do motivo externo que te levou a esta crise, mas entender que a solução do problema não está do lado de fora, mas sim com você mesmo. Isto é comprometimento, ou seja, a minha capacidade de assumir a responsabilidade pelo meu sucesso e pelo meu fracasso, sem terceirizar a culpa. Quando eu assumo minhas responsabilidades eu estou trazendo para mim a solução do problema, estou me empoderando e isto propicia o equilíbrio emocional.
A tendência das pessoas é omitir-se de suas responsabilidades pelos resultados de sua vida. Normalmente ficam na muquerela. Já expliquei aqui o que é muquerela, mas vamos repetir. Muquerela é um acróstico que significa murmurar, queixar, reclamar e lamentar. É uma escolha sua ser um muquerelento ou ser uma pessoa que busca as soluções para os problemas de sua vida. Quanto mais muquerela você for, mais desequilibrado emocionalmente você será. Quanto mais proativo, analisando como você deve conduzir sua vida, quais os melhores caminhos a tomar, com quem você deve se envolver, fazer contato para crescer e melhorar, mais equilibrado emocionalmente você será.
Por trás do desequilíbrio emocional está a crença de que conflitos são ruins e perdas não devem acontecer na vida. Sobre perda já escrevi no tópico ciúme, confira lá. O conflito é inerente à nossa condição de seres viventes. Viver é estar em conflito em maior ou menor grau. O conflito é necessário para alavancarmos nossa vida, crescermos, pois o mundo – sejam as pessoas ou sejam as situações – estão sempre nos apontando em que estamos agindo inadequadamente e quais ajustes devemos fazer.
Equilíbrio emocional é vivenciar de forma intensa e adequada os estímulos externos, ou seja, como o mundo e as pessoas estão nos influenciando. Vivenciar os cinco sentimentos autênticos – medo, alegria, raiva, tristeza e afeto – e também o sentimento especial – o amor, que é a capacidade de vivenciar os cinco sentimentos autênticos somado a compreensão que vivemos em sociedade e, como tal, devemos ser participativos dos problemas sociais.



[i] Carolei significa Caro Leitor, uma maneira carinhosa que encontrei para comunicar-me com você, leitor do meu blog.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Emoção (segunda parte)

Ainda se tratando de sentimento e emoção, Carolei[i], vamos procurar entender como eles ocorrem em nosso cérebro. A amígdala cerebral, parte do sistema límbico, é a sede dos sentimentos em nosso cérebro. É desta região que saem os sinais que geram uma reação emocional. A reação emocional ocorre independente do comando do córtex cerebral, parte do cérebro responsável pelo cognitivo, pela análise do que deve ser feito e do que não deve ser feito, pela memória, atenção, consciência, linguagem, percepção e pensamento.
Diante de um estímulo externo primeiro somos tomados pelo sentimento e depois pela razão, o que podemos dizer que nosso cérebro é programado para sermos seres emocionais, ou seja, que reagimos prontamente quando tomados por algum sentimento.





Chamamos de inteligência emocional a capacidade da pessoa de tomar consciência do que está acontecendo consigo mesmo antes de reagir emocionalmente. Poderíamos dizer que seria a sua capacidade de levar suas emoções até a sua consciência para reagir de forma madura.
Quanto mais a pessoa reflete sobre os sentimentos que está tendo, procurando entender o motivo que a faz sentir o que está sentindo, mais ela expande sua conexão entre amígdala cerebral e córtex cerebral, ou seja, entre emoção e consciência. Isto é inteligência emocional.

Passarei agora para vocês um teste de Inteligência Emocional. Não tem um caráter científico mas você poderá avaliar como se comporta em situações diferentes.

1)    Você comete um erro constrangedor, percebido por todos no trabalho. Qual é a sua reação?
a.    Passo dias chateado comigo mesmo, remoendo o episódio.
b.    Penso sobre como poderia ter evitado o erro, mas acabo me perdoando.
c.     Tento apagar a situação da minha cabeça, para não sofrer à toa.

2)    Como você se sente quando alguém faz uma crítica agressiva ao seu trabalho?
a.    Não chego a me chatear, tenho “pele grossa” para ofensas.
b.    Fico bastante ofendido e revido na hora.
c.     Fico triste, mas não dou o troco.

3)    No meio de uma reunião de trabalho, você é abatido por uma angústia muito forte. O que você faz?
a.    Procuro me convencer, com argumentos racionais, de que não há razão para sentir aquilo naquele momento.
b.    Não seguro nada, manifesto na hora o que estou sentindo.
c.     Contenho a emoção na hora e libero mais tarde, num contexto mais apropriado.

4)    Você está num mal dia e alguém próximo lhe pergunta o que aconteceu. Como você responde?
a.    Digo algo como “estou mal”, mas geralmente não sei precisar o sentimento.
b.    Defino o que estou sentindo com palavras bem específicas, como “perplexo”, “frustrado” ou “ansioso”.
c.     Não respondo ou digo que só estou um pouco cansado.

5)    O que é perfeição para você?
a.    Um objetivo a ser perseguido sempre.
b.    Um ideal utópico.
c.     Uma conquista de poucos.

6)    Um de seus colegas tem uma personalidade muito difícil. Como lidar com esta pessoa?
a.    Não escondo minha raiva e frustração. Quanto mais ela souber que a detesto, melhor.
b.    Tento aplacar os meus sentimentos negativos e entender o seu ponto de vista.
c.     Procuro a presença de outras pessoas na hora de falar com ela.

7)    Você costuma ser um bom juiz do caráter alheio?
a.    Sim, tenho facilidade para interpretar as intenções e motivações dos outros.
b.    Sim, mas só se conheço a fundo a outra pessoa.
c.     Não, infelizmente tenho muitas impressões que se revelam equivocadas.

8)    Com que frequência você cultiva mágoas e rancores?
a.    Sempre. Tenho muita dificuldade para perdoar quem me ofende.
b.    Às vezes. Mas só quando a ofensa for muito grave.
c.     Raramente. Prefiro evitar o mal-estar que esses sentimentos me causam.

9)    Numa entrevista de emprego, o recrutador quer saber quais são os seus pontos fracos. E agora?
a.    É uma pergunta muito difícil para mim. Acabo recorrendo a clichês, como “sou perfeccionista”.
b.    Falo com calma e propriedade sobre as minhas vulnerabilidades. Sei bem quais elas são.
c.     Respondo de forma objetiva e resumida. Prefiro que isso não ocupe muito tempo da entrevista.

10) Você tem dificuldade para dizer “não” a uma nova tarefa?
a.    Sim. Aceito novos compromissos mesmo quando minha agenda está cheia.
b.    Às vezes. Tenho medo de ofender o outro com a minha recusa em alguns casos.
c.     Não. Quando é necessário, consigo dizer “não” para os outros e até para mim mesmo.


Resultados adequados são as pontuações entre 7 a 10. Abaixo de 7 significa que você tem de rever posturas relacionadas a sua inteligência emocional. Fonte: http://exame.abril.com.br/carreira/quizzes/voce-tem-inteligencia-emocional/

Gabarito:














[i] Carolei: significa carinhosamente “Caro Leitor”.

Emoção

Carolei significa Caro Leitor e é o nome carinhoso que uso para me comunicar com vocês. Hoje estarei escrevendo sobre as emoções, completando a postagem de ontem que escrevi sobre os sentimentos.
As emoções são diferentes dos sentimentos. Emoções são manifestações corporais dos sentimentos. Eu sinto raiva e o meu rosto fica vermelho, lembra da expressão “vermelho de raiva”? Então o rosto vermelho é a emoção do sentimento raiva. Eu tive medo e as minhas pernas tremeram. As pernas tremerem é a emoção do sentimento medo. Então a emoção é a parte somática do sentimento. “Nossa! eu me emocionei todo!” Significa que o corpo demonstrou todo o sentimento que a pessoa estava sentindo em determinado momento.
As emoções mostram a intensidade do sentimento, pois sentimentos levemente vividos provocarão reações leves no corpo. Por outro lado, sentimentos que vêm de maneira inesperada, impactante, violenta e de forte decepção, frustração e de dor intensa podem provocar até mesmo um infarto.
O equilíbrio da relação sentimento e emoção é diretamente proporcional ao equilíbrio bio-psíquico-social da pessoa. Pessoas que lidam bem com a vida, com as pessoas que se relaciona e, principalmente, lida bem consigo mesmo terão maiores chances de viverem uma vida de sentimentos e emoções também equilibrada.
A expectativa que as pessoas desenvolvem em relação aos projetos de vida age diretamente no seu fluxo sentimento/emoção. Muita expectativa pode gerar frustração e desequilíbrio emocional. Pouca expectativa pode gerar omissão diante da vida, baixo nível de envolvimento, pouca disponibilidade para “correr atrás”. São escolhas que todos nós fazemos. A vida nos convida a viver, a expormos, a ganhar, a perder, a sermos ousados sem dar um passo maior que as próprias pernas. Avaliar estas questões é complexo, devido às inúmeras variáveis que o próprio mundo que vivemos nos impõe.

Com o advento da internet, da tecnologia da informação, das redes sociais, esta complexidade tem se tornado maior a cada dia. O nosso desafio é mantermos um equilíbrio entre os inúmeros estímulos recebidos e a nossa capacidade de fazermos uma leitura adequada destes estímulos, para darmos uma resposta condizente com os nossos projetos de vida, sem perdermos nosso equilíbrio bio-psíquico-social.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Sentimento

Bom dia Carolei, te desejo uma ótima semana. Continuemos nossa trilha buscando a compreensão do que vem a ser o desenvolvimento de relacionamentos sadios. Para isto é necessário compreender bem como os sentimentos e as emoções funcionam na gente. Talvez eu terei de postar este assunto por uns dois ou mais dias, devido a sua complexidade. Sentir é inerente à nossa condição de seres biológicos, isto significa que não é somente as pessoas que sentem, plantas e animais também sentem. No ser humano os sentimentos assumem um caráter mais complexo devido a nossa capacidade racional.

Em se tratando de gente, existem três categorias de sentimentos, os genuínos, os substitutos e o sentimento especial. Sentimentos genuínos são proporcionais ao contexto, ao estímulo, ao tempo e a intensidade. Sentimentos substitutos são desproporcionais ao contexto, ao estímulo, ao tempo e a intensidade. Chama-se substituto exatamente porque vem em substituição a um sentimento genuíno que não pôde ser expresso por um motivo ou outro. Já o sentimento especial é aquele que considero que tem a energia mais pura de todos os sentimentos.

Os sentimentos genuínos:                      
Medo
Alegria
Raiva
Tristeza
Afeto
           

O sentimento especial:

Amor


Os sentimentos substitutos:

Todos os sentimentos diferentes dos genuínos e do especial.


Todos nós temos os sentimentos genuínos, quer você queira ou não você tem medo, alegria, raiva, tristeza e afeto. É normal ter estes sentimentos. Os sentimentos genuínos são aqueles que não podem ser desmembrados em outros sentimentos. Por isto que são chamados de genuínos ou autênticos. É como se os comparássemos às sete notas musicais dó, ré, mi, fá, sol, lá e si ou às três cores primárias vermelho, amarelo e azul. Assim como não se obtém estas notas musicais combinando outras notas, pois estas são a primeiras, as indivisíveis, as cores primárias também não são obtidas pela mistura de outras cores. Paralelamente os sentimentos genuínos não podem ocorrer pela combinação de outros sentimentos. Quando a pessoa sente medo, este sentimento é autêntico, da mesma forma quando sente raiva, afeto, alegria ou tristeza. No entanto, quando a pessoa está ansiosa, este já pode ser uma combinação de sentimentos de tristeza com raiva ou outros sentimentos. Segue um quadro que mostra os sentimentos e como que seus substitutos podem se manifestar.

SENTIMENTO GENUÍNO

SUBSTITUTO MAIS FREQUENTES (podem ter “n” outros)

POSSÍVEL SITUAÇÃO FAMILIAR OU SOCIAL QUE A GEROU (situações inadequadas que prejudicam as pessoas de vivenciar seus sentimentos)

Alegria
Culpa
Ansiedade
Falsa alegria
Alegria desproporcional
Não podia estar alegre se todos não estavam alegres.
Sofria uma reprovação cada vez que desfrutava de algo.
Se sentia prazer, o ameaçavam ou o castigavam.
Sentir alegria é condenável.
Não é sério quem é alegre.
Não é responsável quem é alegre.
Afeto
Frieza
Ansiedade
Paixão
Falso afeto
Angústia
Ao demonstrar afeto, o rebaixavam ou o expulsavam.
A intimidade é condenável, ocorria brigas para evitar intimidade.
Não havia suficiente afeto para todos, alguém mostrava por quem sentia afeto.
Medo
Pânico
Frieza
Falso medo
Era convidado a rir do perigo.
Sentir medo é ruim.
Quem sente medo é covarde.
Tem de ser corajoso sempre.
Tristeza
Falsa tristeza
Ressentimento
Ansiedade
Mágoa
Ódio
Riam de quando estava mal.
Temia não controlar sua tristeza e entristecer os outros e que estes poderiam deprimir-se ou suicidar.
Sentir tristeza é condenável, tenho de ser forte.
Era rejeitado e isto me dava tristeza.
De triste passei a sentir ódio.
Raiva
Falsa raiva
Ódio
Culpa
Riam quando estava aborrecido.
Se alguém se aborrecesse, temia que pudesse matar alguém. Não distinguia ‘sentir’ de ‘atuar’.
Se mostrasse raiva, o culpavam e o acusavam.
A raiva é condenável.

Então, Carolei, os sentimentos genuínos são aqueles que todos nós temos de uma forma saudável dentro de nós. O tempo todo estamos sentindo um destes sentimentos genuínos. O ato de sentir, portanto, é inerente a nossa condição de seres humanos. Não existe a situação “eu não estou sentindo nada”. Isto é impossível, você pode é não estar conseguindo identificar qual sentimento você está sentindo, mas que você está sentindo algo você está. Vamos entender cada um destes sentimentos:
Medo. É o ato de sentir receio de enfrentar alguém ou uma situação específica, para proteger a si mesmo. Sentir medo é saudável. É uma forma de nos proteger contra perigos eminentes. Se sei que determinada rua de determinado bairro tem um índice de assalto elevado, é salutar eu ter medo de passar por esta rua. Se farei uma prova muito difícil, é saudável sentir medo de não passar e aí procurarei estudar bastante para passar na prova.
Alegria. É a capacidade de vibrar em relação às coisas positivas que estamos vivendo, em relação às conquistas que estamos obtendo.
Raiva. É a expressão de indignação em relação a determinadas situações ou chateação em relação a fala de alguém ou comportamentos das pessoas. Isto é também saudável.
Tristeza. É o ato de sentir-se abalado em relação a determinada situação, uma derrota, uma perda, uma frustração. Posso também ficar triste porque agi de forma inadequada e avaliei que não devo assim me comportar novamente.
Afeto. É a capacidade de expressar algo bom e gostoso que está acontecendo em minha vida.
Compreender o que estamos sentindo nos ajuda a relacionarmos com a gente mesmo e com as pessoas que nos cercam. Se não sabemos o que estamos sentindo, dificilmente saberemos o que estamos sentindo em relação às outras pessoas ou em relação a determinadas situações.


Amanhã estarei postando sobre as emoções.